Cachorro ET, eu vi! Mamãe não gostou
A gente faz cada merda quando é adolescente. E adulto. E velho. Mas na flor da idade( termo gay em homenagem a meus leitores que queimam a rosca), especificamente na aurora de meus 12, 13 anos, me superei. Foi na virada. Do ano, porra! Anti-social que sou, ou era, recusei o convite de meus familiares para ver os fogos e macumbas na praia:
- Vamu lá, Dapirueba! Vai ter rojão e tudo!
- Ah, enfia no cu e roda!
- Isso é modos de falar com seu pai, moleque!?
Não fui ver macumbeiras nem incendiários. Fiquei sozinho em casa. Acho que estava passando na Globo uma reprise de Tonico e Tinoco. Desliguei a TV.
- Caralho! Tá cheio de bebida aqui! E ninguém vai ver! Êba, êba, vou encher a cara!
E assim o primeiro porre de minha vida foi ganhando corpo. Com rosto dormente. E olhos vermelhos.
Havia, pois, uma garrafa cheinha de Vodka. Eu gostava na época duma músicaí " (...) numa festa de cuba libre)". Pronto, estava decidido.Reveillon perfeito. A casa só pra mim. Cuba libre só pra mim. As revistas de putarias de meu irmão só pra mim. Perfeito! No entanto...
No entanto, como falei, nunca havia bebido nada além de água e suco de tamarindo. Bastaram, portanto, alguns copos de vodka com coca para eu ficar chapadão. Bem tonto. Tudo rodava.
- huahua vou passar trote!
Liguei para o hospital onde minha mãe costumava dar plantão. Sim, idéia de gênio mongol.
- Hospital Maternidad...
- Eu sei, besta! Se liguei para o hospital, claro que é do hospital que você está falando!
- tu tu tu
A véia deligou na minha cara. Liguei outra vez.
- Hospital ..
- Cabacidade?! uhauha
- tu tu tu
Bebi mais um copo, liguei a TV, assisti ao Faustão-com-relógio-branco anunciar " um dos maiores cantores de todos os tempos". Como não gosto de Daniel, mudei de canal. Nada que prestava! Nem um programinha de leilão de jóias sequer! Então desliguei. E liguei.
- Hospital Maternidade( mulher com voz de sono)
- Olá. Feliz ano novo. Como cêtá? Se divertindo muito aí no trabalho! auhau se fud......
-tu tu tu
Fiquei com a consciência pesada. Pô, tadinha da mulher. Na certa estava lá fazendo hora extra, por necessidade. E o idiota aqui a sacaneá-la. Vacilei, vacilei. Eis que um vazio acometeu meu peito. Ninguém em casa. Nada na tv. Nada de trote. Nada de revista( éca, estavam grudadas). O que fazer? Sair de casa cambaleando, óbvio! Droga, ninguém na rua! Cadê tudo mundo? Será que morri? Aquele cachorro não seria um ET? Tais pensamentos martelavam minha cabeça já latejante.
- Ah, seu cachorro ET, vai tomá no cu! Vou pra casa.
Sentei no sofá. Peraí! vodka, até você foi embora, cacete?! Pois é, bebi quase toda garrafa. Com medo da bronca, esperto que sou, repuz o conteúdo com água da torneira da pia. Cansado, solitário, desolado, bebáço, vomitei no tapete e apaguei.
- Dapirueba, meu filho! O que houve? Acorde! Está me ouvindo? Tá tudo bem? Quem fez essa sujeira? Você bebeu?
- Porra, mãe,deixa eu dormir. É tudo culpa do cachorro ET.
Apaguei de novo. Ali mesmo, no tapete vomitado. Acho que a história do ET não colou, pois mamãe Dapirueba, no dia seguinte, vendeu meu super-nintendo. E escondeu todas bebidas do barzinho. Malvada.

Escrito por Dapirueba às 04h23
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